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O apagão de professores no Brasil e o futuro da educação

"Imagem com estilo jornalístico realista mostrando o interior de uma sala de aula brasileira com iluminação natural. No centro, uma professora de meia-idade aparece visivelmente exausta, com a mão na testa, diante de uma mesa cheia de papéis, cercada por estudantes atentos e preocupados. Ao fundo, um quadro verde exibe uma faixa com os dizeres: 'Déficit de Professores: o apagão já chegou às salas de aula. Estudantes sem aulas de Matemática e Física', além de um cartaz lateral indicando 'Projeção 2040: -235 mil docentes'. O clima é de tensão e urgência, refletindo a crise educacional do país."

A professora brasileira, premiada pela Fundação Varkey como Global Teacher Influencer of the Year, Débora Garofalo, usou sua visibilidade internacional para apontar o que pesquisadores e educadores vêm alertando há anos: o país está perdendo seus professores, e não está formando novos em quantidade suficiente. A seguir, os números confirmam dados alarmantes.

235 mil professores a menos até 2040

Uma pesquisa do Instituto Semesp, entidade que representa as mantenedoras do ensino superior no Brasil, projeta que o país poderá ter um déficit de até 235 mil docentes na educação básica até 2040. Para manter a proporção atual de alunos por professor (20 estudantes para cada docente em atividade), o Brasil precisaria de 1,97 milhão de professores. No ritmo atual, terá 20,7% a menos.

O problema não é só de quantidade. É de qualidade, de condições e, sobretudo, de desejo: os jovens simplesmente não querem mais ser professores.

Por que ninguém quer lecionar?

  • Salários que não competem: as remunerações para professores da educação básica variam entre R$ 2.489 (educação infantil) e R$ 5.418 (ensino médio). Profissionais de outras áreas com o mesmo nível de formação ganham significativamente mais. Na área de exatas, a diferença chega a 67%.
  • Abandono em massa: oito em cada dez professores já pensaram em largar a carreira, segundo pesquisa do Instituto Semesp. As principais razões: falta de valorização e disciplina dos alunos e ausência de perspectivas de crescimento.
  • Evasão nos cursos de licenciatura: o número de ingressantes em cursos presenciais de licenciatura caiu 37,6% em dez anos. A taxa de desistência média é de 33%, e, nas licenciaturas em física, chega a 72%. Entre os jovens, apenas 6,6% têm interesse em seguir a área de educação.
  • Envelhecimento da categoria: o número de professores com 50 anos ou mais cresceu 109% entre 2009 e 2021. No mesmo período, os professores com até 24 anos caíram quase pela metade, de 116 mil para 67 mil. Uma geração inteira está saindo, e não há reposição à vista.
  • Adoecimento: em 2023, uma pesquisa do Instituto Península apontou que 84% dos professores apresentavam pelo menos um dos três principais sintomas da Síndrome de Burnout. Infraestrutura precária, longas jornadas e violência nas escolas completam o cenário.
O déficit de 235 mil professores até 2040 traz um alerta para o futuro da educação brasileira. Fonte: Gemini IA

As disciplinas mais afetadas

O apagão não atinge todas as áreas da mesma forma. As disciplinas de exatas, Física, Química e Matemática, são as mais vulneráveis, seguidas de Língua Inglesa, Filosofia e Sociologia. Nessas áreas, a concorrência com o setor privado é mais direta: um físico ou químico sem licenciatura ganha, em média, muito mais do que um professor da mesma formação.

Débora Garofalo destacou justamente esse ponto em sua entrevista à CBN em março: a desvalorização é especialmente crítica nas exatas, onde a carreira docente compete de frente com o mercado tecnológico e industrial.

Um alerta que vem de longe

Não é de hoje que o Brasil recebe esse aviso. A Fundação Carlos Chagas já apontava o risco de escassez docente em estudo publicado em 2010. Quinze anos depois, o cenário se agravou, e o apagão, que era projeção para 2040, já mostra sinais claros atualmente, com salas de aula sem professores habilitados nas redes públicas.

No Rio de Janeiro, por exemplo, um relatório sobre o Novo Ensino Médio apontou carência de mais de 13 mil aulas em 2022. O problema não é futuro. Ele já chegou.

Fontes: Instituto Semesp, Fundação Carlos Chagas (Fluxo Educação), CBN/Rádio Globo, Instituto Península, CONTEE, Agência Brasil.

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