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Casa das Rosas revela seu jardim

Prédio da Casa das Rosas

Em meio à intensidade da Avenida Paulista, um jardim silencioso guarda histórias que poucos param para observar. É o que propõe a exposição “Rosas que nomeiam: o jardim da Casa das Rosas”, em cartaz até 30 de setembro na Casa das Rosas, na capital paulista.

A mostra convida o público a deslocar o olhar do alto dos arranha-céus e do movimento constante da avenida para o chão, onde o jardim revela seus ciclos, seus cuidados, seus apagamentos e permanências. “Se a casa observa a avenida, o jardim observa o tempo”, resume a curadoria.

O jardim da Casa das Rosas é apresentado como parte viva da história do casarão, um dos poucos remanescentes da antiga Chácara das Rosas, que deu nome à região. Nesse espaço, memória, cuidado, natureza cultivada e as transformações urbanas da Paulista se cruzam em um mesmo território.

A exposição integra a programação da Casa das Rosas, espaço cultural gerido pela Poiesis, organização social ligada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O casarão, construído na década de 1930, foi residência da família da indústria têxtil e, desde 1995, abriga um centro de referência em literatura, poesia e memória da cidade.

A mostra é uma oportunidade para visitantes conhecerem não apenas as plantas e flores que compõem o jardim, mas também as histórias de quem o cultivou ao longo das décadas. O jardim, muitas vezes ofuscado pela imponência do prédio, ganha protagonismo ao revelar a relação entre o espaço construído e a natureza que resiste em meio ao asfalto.

A visita é gratuita e pode ser feita de terça a domingo. A Casa das Rosas também oferece programação literária, exposições, oficinas e atividades para diferentes públicos ao longo do ano.

Um oásis no coração da cidade

Um elegante casarão histórico de estilo neoclássico, cercado por jardins floridos e árvores em meio à paisagem urbana.
Jardim Casa das Rosas. Foto: Reprodução/o Globo

A Avenida Paulista é conhecida por sua agitação. São carros, ônibus, metrô, ciclistas e pedestres que se movem em um ritmo acelerado, entre prédios comerciais, museus, shoppings e centros culturais. Em meio a esse cenário, a Casa das Rosas se destaca como um ponto de calma e contemplação.

Construída em 1935, a residência foi encomendada por uma família da indústria têxtil e projetada com influências da arquitetura francesa, com jardins que remetiam aos palacetes europeus. O nome “Casa das Rosas” não é acidental: a região era ocupada por uma chácara que cultivava a flor, e o casarão manteve a tradição ao longo dos anos. Hoje, o imóvel é tombado pelo patrimônio histórico municipal e integra o roteiro cultural da cidade, funcionando como um espaço dedicado à literatura, à poesia e à memória paulistana.

O jardim, que ocupa uma área generosa ao lado da construção principal, é composto por espécies que foram escolhidas ao longo das décadas por diferentes moradores e jardineiros. Há roseiras, palmeiras, árvores frutíferas, plantas nativas e exóticas, além de canteiros que mudam de acordo com as estações. Cada canto do jardim carrega uma história: uma árvore plantada em homenagem a um familiar, um canteiro que floresce em memória de um antigo morador, uma roseira que resistiu a reformas e intempéries.

Programação além da exposição

A Casa das Rosas não é apenas um espaço expositivo. Desde sua abertura ao público em 1995, o casarão se consolidou como um centro de referência em literatura e poesia. A programação inclui saraus, lançamentos de livros, oficinas de escrita, contação de histórias, rodas de leitura e encontros com autores.

Além disso, o espaço mantém um acervo bibliográfico especializado em literatura brasileira, poesia e memória da cidade, disponível para consulta e pesquisa. A biblioteca, instalada em antigos cômodos do casarão, preserva o mobiliário original e cria uma atmosfera que transporta os visitantes para outra época.

A mostra “Rosas que nomeiam” se insere nesse contexto, ampliando o olhar do público sobre o espaço que ocupa e sobre a relação entre cultura e natureza. A proposta é que os visitantes saiam do casarão com uma percepção renovada sobre o que significa habitar a cidade e cuidar do que está ao redor.

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