Quando se fala em turismo literário, o primeiro passo costuma ser visitar a casa onde um grande escritor viveu. É um passeio bonito, mas existe outro jeito de viajar pelos livros: ir aonde a literatura acontece. Há cidades em que a leitura virou festa, tradição e até identidade. Conheça seis delas.
Rio de Janeiro (RJ): a Bienal e a Capital Mundial do Livro
A 23ª edição da Bienal do Livro Rio será realizada de 3 a 12 de setembro de 2027. A feira acontece a cada dois anos, alternando com a edição de São Paulo. A edição de 2025 reuniu mais de 740 mil visitantes no Riocentro, recorde de público da festa literária carioca.
Em 2027, ano em que a cidade é Capital Mundial do Livro pela Unesco, a Bienal será o ápice das comemorações e traz o conceito de Book Park. Entre as atrações anunciadas estão a “Leitura nas Alturas”, uma roda-gigante com trechos de livros em áudio, e o “Labirinto de Histórias”, um espaço interativo. Também haverá a “Praça Além da Página”, com saraus, música e encontros entre leitores.
Dicas de leitura: Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto (1915) e A alma encantadora das ruas, de João do Rio (1908)
Paraty (RJ): quando o centro histórico vira palco
A Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, nasceu em 2003 e transformou a cidade em referência. Em 2026, a 24ª edição reuniu 40 mil pessoas entre 22 e 26 de julho, 5 mil a mais que no ano anterior. A homenageada foi a poeta Orides Fontela (1940-1998), cuja obra ficou pouco conhecida do grande público durante boa parte da vida e mesmo depois de sua morte.
A graça da Flip está também fora do palco principal: o número de Casas Parceiras subiu de 35 para 46, espalhando conversas, lançamentos e encontros pelas ruas.
Dica de leitura para ir em 2027: Transposição (1969) e Helianto (1973), de Orides Fontela.
Porto Alegre (RS): uma praça inteira dedicada aos livros
Todo ano, a Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, recebe uma das feiras de livros mais tradicionais do país. A 72ª edição acontece de 30 de outubro a 15 de novembro, com o mote “Essência que faz histórias”. Entre os destaques, a escritora, antropóloga e educadora Heloisa Pires Lima será a primeira mulher negra a ocupar o posto de patrona.
Os números da edição anterior mostram o tamanho da festa: mais de 245 mil livros vendidos, mais de mil atividades gratuitas e recorde de visitação escolar, com 23.310 estudantes. Para quem ensina, é um bom exemplo de como levar a turma a um grande evento de leitura.
Dica: aproveite para conhecer a Casa de Cultura Mario Quintana, no centro da cidade.
Passo Fundo (RS): a capital que decidiu ser leitora
Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, recebeu por lei federal o título de Capital Nacional da Literatura em 2006, depois de décadas de Jornadas Literárias. Tudo começou em 1981, quando a Universidade de Passo Fundo e a prefeitura criaram a Jornada Nacional de Literatura.
A boa notícia para os leitores é que o movimento está voltando. Depois de uma pausa, a retomada foi anunciada para 2027, em um novo formato voltado à formação de leitores e comunidades. Até lá, a cidade promove ações de preparação, como círculos de leitura. Vale acompanhar de perto.
- Leia Mais: Zuenir Ventura uniu jornalismo e literatura
Cidade de Goiás (GO): a poesia que virou patrimônio
Na Cidade de Goiás, a poesia de Cora Coralina é parte da paisagem. A cidade é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 2001, e a Casa Velha da Ponte, às margens do Rio Vermelho, abriga o museu da autora. A casa é hoje o lugar mais visitado da cidade, e Cora vendia doces para sobreviver enquanto escrevia.
O museu foi inaugurado em 20 de agosto de 1989, no dia em que se celebrava o centenário de nascimento de Cora. Segundo a diretora, apenas cerca de 40% da obra da poeta está publicada. Ainda há muito de Cora para descobrir.
Leia antes de ir: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais e Estórias da Casa Velha da Ponte.
Cachoeira (BA): literatura às margens do Paraguaçu
Pelas ruas históricas do Recôncavo, a Festa Literária Internacional de Cachoeira, a Flica, ocupa a cidade todo ano. A 14ª edição será de 5 a 8 de novembro de 2026, com acesso inteiramente gratuito. A festa é considerada a maior do Norte e do Nordeste e acontece em uma cidade que foi palco das lutas pela Independência do Brasil.
A programação inclui espaços para todas as idades, como a Fliquinha, voltada às crianças, e a Geração Flica, para o público jovem. É literatura misturada com história, música e a memória afro-brasileira do Recôncavo.
Para marcar no calendário
- 30 de outubro a 15 de novembro: Feira do Livro de Porto Alegre
- 5 a 8 de novembro: Flica, em Cachoeira
- Julho: a Flip costuma acontecer no inverno (a data de 2027 ainda não foi confirmada)
- 2027: retorno da Jornada Nacional de Literatura, em Passo Fundo








