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Morre Juca de Oliveira, ícone da TV e do Teatro, aos 91 anos

Fotografia de meio-corpo do ator Juca de Oliveira. Ele era um homem idoso, com pele clara, cabelos brancos e curtos, levemente desalinhados. Ele sorri para a câmera e usa óculos de grau com armação fina e escura. Veste um paletó preto sobre uma camisa azul-escura. Ao fundo, uma parede azul-marinho exibe o logotipo da novela "O Outro Lado do Paraíso" em letras brancas.

O Brasil se despede hoje de um dos seus maiores pilares culturais. Morreu, na madrugada deste sábado, 21 de março de 2026, o ator, diretor e autor Juca de Oliveira, aos 91 anos. A confirmação do falecimento veio por meio de uma nota oficial divulgada pela família à imprensa.

Juca estava internado desde o dia 13 de março na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. O veterano enfrentava um quadro delicado de saúde, decorrente de uma pneumonia e complicações cardiológicas.

Velório e sepultamento

Para os fãs e amigos que desejam prestar as últimas homenagens, o velório será realizado hoje, na Bela Vista (Funeral Home), região central de São Paulo.

  • Horário do Velório: Das 15h às 21h (Aberto ao público).
  • Sepultamento: Ocorre amanhã, 22 de março, às 11h, no Cemitério do Araçá. Não haverá uma segunda cerimônia de velório no local; o corpo seguirá diretamente para o sepultamento.

Do Direito aos palcos

Natural de São Roque (SP), José Juca de Oliveira Santos quase seguiu carreira jurídica. Ele chegou a cursar Direito na USP, mas a paixão pelas artes falou mais alto. Abandonou o banco onde trabalhava para estudar na prestigiada Escola de Arte Dramática (EAD), onde formou laços que levaria para a vida toda, como a amizade com Glória Menezes.

Sua estreia profissional foi na peça “Frei Luís de Sousa“, que lhe rendeu o passaporte para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC). A partir dali, foram mais de 60 anos dedicados a construir personagens complexos e memoráveis.

Personagens que marcaram a teledramaturgia

A carreira de Juca de Oliveira se confunde com a própria evolução da novela brasileira. Relembre alguns de seus papéis mais icônicos:

João Gibão (Saramandaia, 1976)

Em um dos maiores clássicos do realismo fantástico de Dias Gomes, Juca interpretou o sensível João Gibão. O personagem escondia de todos uma suposta corcunda que, na verdade, ocultava um par de asas, uma metáfora inesquecível sobre a liberdade.

Dr. Albieri (O Clone, 2001)

Um dos seus trabalhos mais populares. O cientista ético, mas obcecado, que desafiou a natureza ao criar o primeiro clone humano (Léo) a partir de Lucas. A atuação de Juca trouxe humanidade a um dilema científico que parou o Brasil.

O ator Juca de Oliveira caracterizado como o personagem Dr. Albieri, da novela "O Clone". Ele aparece sentado em um laboratório, vestindo um jaleco branco e luvas descartáveis claras. Com uma expressão concentrada, ele segura um tubo de ensaio com líquido avermelhado em uma mão e uma estante com outros tubos na outra. O ator tem cabelos castanhos ondulados, na altura das orelhas, e o ambiente ao fundo sugere um consultório médico ou laboratório de pesquisa.
Juca de Oliveira em “O Clone”. Foto: reprodução/ TV Globo

Santiago (Avenida Brasil, 2012)

Na trama de João Emanuel Carneiro, Juca surpreendeu o público ao revelar a face sombria de Santiago. O pai da vilã Carminha (Adriana Esteves) mostrou-se o verdadeiro “mestre” por trás de muitas tragédias, consolidando-se como um dos grandes antagonistas da década.

Natanael (O Outro Lado do Paraíso, 2017)

Seu último grande papel na TV Globo foi o implacável advogado Natanael. Na trama, ele era o sogro calculista que tentava destruir a vida de Elizabeth (Glória Pires), mostrando que o talento de Juca para tipos autoritários permanecia intacto.

Juca de Oliveira deixa um vazio imenso no cenário artístico, mas um legado eterno gravado em fitas, palcos e na memória afetiva de milhões de brasileiros.

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