Em 1992, uma menina de 19 anos abriu seu diário para o mundo. Não havia rede social, nem celular e muito menos algoritmo para registrar o instante. Havia apenas um palco, uma plateia e a coragem de falar sem cerimônia sobre as descobertas da adolescência. Nascia ali, no Rio de Janeiro, “Confissões de Adolescente”, fenômeno cultural que marcou uma geração.
Trinta e quatro anos depois, Maria Mariana, hoje com 53 anos, psicóloga e mãe de quatro filhos, relança o livro com prefácio inédito e textos de atrizes do elenco original: Ingrid Guimarães, Carol Machado e Patrícia Perrone. Em outubro, a história ganha uma versão musical no Teatro Tom Jobim, no Rio, com direção de Laura de Oliveira, filha de Maria Mariana, que estreia aos 24 anos na mesma obra que lançou a carreira da mãe.
Mais do que nostalgia, o relançamento é uma ponte entre gerações.
Segundo Maria Mariana, a nova adaptação reúne no palco mãe e filha em uma viagem no tempo, na qual a jovem passa a conviver com a versão adolescente da mãe. A diretora explica à jornalista Camille Mello que a peça propõe um olhar cruzado entre os anos 1990 e a atualidade, contrastando aquela época com a realidade hiperconectada de hoje.
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A história de “Confissões de Adolescente” é também uma história familiar. A peça original surgiu por incentivo do pai de Maria Mariana, o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira, que a encorajou a transformar seu diário em espetáculo. Para Revista TPM, afirmou:
“Meu pai foi meu maior confidente. Quando menstruei pela primeira vez, acordei com a cama suja e, ao voltar da escola, havia um buquê de flores vermelhas na sala. Se um pai amigo é um escândalo hoje, imagine nos anos 90”.
Entre 1992 e 2002, o espetáculo lotou teatros de Norte a Sul do país. Em 2004, a série de TV derivada, com 21 episódios exibidos pela TV Cultura, foi indicada ao International Emmy Awards. O livro, lançado em 1993, ultrapassou a marca de 250 mil exemplares vendidos e revelou ao público nomes como Ingrid Guimarães e Deborah Secco.
O musical, cuja estreia está prevista para outubro, tem tudo para render boas conversas entre mães e filhos, ao revisitar temas universais como afeto, sexualidade, liberdade e os desafios de crescer. Maria Mariana conta que os próprios filhos costumam perguntar como era viver sem celular, algo praticamente inimaginável para as novas gerações, assim como não é simples, para pais e mães, compreender como se vive por trás de uma tela.

Segundo ela, a proposta do livro e do musical é justamente aproximar adultos e adolescentes, ajudando-os a se entenderem, mesmo vivendo em mundos tão diferentes. A autora observa que as fãs de “Confissões de Adolescente” a tratam como uma amiga que cresceu junto com elas, já que nada na obra era inventado. Para a atriz e psicóloga, esse resgate da própria adolescência tem sido importante para reencontrar a coragem e os sonhos de então, e ela defende que é preciso estar em contato com a própria essência para conseguir enxergar a dos filhos.
Com o musical, Maria Mariana reafirma que “Confissões de Adolescente” segue tão atual quanto no início, agora ganhando uma nova camada de sentido: a de servir de ponte entre gerações que, mesmo separadas por décadas e por telas, ainda enfrentam os mesmos dilemas sobre crescer, amar e se descobrir.









