O jornalista Carlos Monforte passava por tratamento contra um câncer e morreu na manhã desta segunda-feira (31/08), em Brasília, aos 77 anos. A informação foi confirmada pela GloboNews e por familiares.
Natural de Santos (SP), nascido em 03 de julho de 1949, Monforte iniciou sua trajetória profissional antes mesmo de concluir a faculdade de Jornalismo na Faculdade de Comunicação de Santos, como repórter do jornal A Tribuna. Formado em 1972, passou pela Secretaria de Obras do Estado de São Paulo e foi repórter especial de O Estado de S. Paulo entre 1973 e 1978.

Trajetória na Globo
Em 1978, Monforte ingressou na TV Globo como repórter local e rapidamente passou a produzir reportagens para o Jornal Nacional e o Fantástico. Participou de coberturas históricas, como as greves dos metalúrgicos no ABC Paulista.
Em 1982, assumiu a editoria de política do Jornal da Globo e, no mesmo ano, tornou-se editor e apresentador do Bom Dia São Paulo. Em janeiro de 1983, com a criação do Bom Dia Brasil, Monforte foi escolhido como o primeiro editor-chefe e apresentador do telejornal, cargo que ocupou por nove anos.
O jornalista deixou a Globo em 1992 para estruturar o departamento de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde permaneceu por dois anos. Retornou à emissora em 1994 como repórter especial do Jornal da Globo em Brasília.
Carreira na GloboNews
Em 1998, Monforte passou a atuar no Espaço Aberto, da GloboNews. No final de 2000, assumiu a coordenação da GloboNews em Brasília e foi apresentador do Jornal das Dez.
Aos poucos, ele se consolidou como uma das vozes mais respeitadas na cobertura dos bastidores do poder e nas entrevistas com autoridades e personalidades políticas.
Um dos episódios mais marcantes de sua carreira ocorreu em 1994, durante uma entrevista com o então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. Sem que soubesse, o ministro teve seu áudio captado por antenas parabólicas e afirmou: “Eu não tenho escrúpulos. O que é bom a gente fatura, o que é ruim, a gente esconde”. A declaração provocou uma crise política que culminou na saída de Ricupero do governo.
Homenagens
O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nota de pesar, assinada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin.
“Ao longo de uma carreira de quase quatro décadas, Carlos Monforte dedicou-se ao jornalismo com profissionalismo e contribuiu de maneira relevante para a história do telejornalismo brasileiro”.
A jornalista Mônica Waldvogel, da GloboNews, lamentou a perda nas redes sociais, descrevendo Monforte como um “grande colega e mestre”. Raquel Porto Alegre, também da GloboNews, afirmou que o colega deixou “um ensinamento importante para todos que trabalharam ao lado dele”.
No jornalismo impresso, o colega Paulo José Cunha lembrou a amizade que construíram a partir de 1988. Para ele, Monforte deixa um legado de “retidão profissional e cuidado com a precisão da informação”.
Carlos Monforte deixa esposa, dois filhos e três netos. O velório ocorrerá na terça-feira (01/09), das 13h às 15h, na capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, com cremação prevista para as 15h15.









