Pelo título, talvez você esteja lendo este texto e pensando: “essa moda já passou, Rita”. Pode ser. Para você que não entendeu nada, vou explicar. Estou falando do “acho chique”, a trend que tomou o Instagram e o TikTok nas últimas semanas: usuários listam, com tom irônico, sofisticado ou bem-humorado, hábitos simples, às vezes absurdos, ou só cotidianos, que resolveram elevar à categoria de elegância. Chique é responder mensagem rápido, não reclamar do trânsito, falar baixo… Como todas as trends do Instagram e do TikTok, há uma vida útil de um story, nascem, podem se reproduzir e morrem. No entanto, resolvi escrever sobre isso, mesmo correndo o risco de chegar atrasada à “festa”, porque algumas provocações merecem sobreviver ao algoritmo que as criou.
Confesso: não sou adepta a trends, e esse é o meu grande problema nas redes. Raramente, sigo o que está bombando só porque está viralizando. Só que essa me pegou de um jeito diferente, porque me fez parar diante do teclado e me perguntar, sinceramente: será que “chique” não é só um nome bonito que estamos dando para o mínimo de civilidade? Cumprimentar as pessoas. Olhar nos olhos de quem está falando com você. Agradecer. Pedir licença. Não seria isso, historicamente, apenas… educação? E se é, por que precisamos reembalar a boa educação como uma extravagância elegante para que ela pareça digna de nota?
Pensei em situações banais do meu dia a dia. Repetir a recomendação pela décima vez, afinal sou educadora. Ouvir alguém até o fim da frase, mesmo com a fila de tarefas esperando. Segurar a porta do elevador sem checar se “vale a pena”. Dar um bom-dia de verdade, não só no automático. Devolver o carrinho do supermercado no lugar certo. Pedir desculpa mesmo quando ninguém cobrou. Se isso é chique, então talvez a gente tenha rebaixado tanto a régua da gentileza cotidiana que qualquer gesto razoável hoje parece luxo.
E é aqui que a trend, apesar de leve, cutuca algo mais sério: a diferença entre o chique da internet e o chique da vida que acontece de verdade, a qual, cada vez mais, só enxergamos por uma tela. Nas redes, chique é performático, uma lista, uma legenda espirituosa, um vídeo de quinze ou, no máximo, sessenta segundos.
Na vida real, chique (ou melhor, decência) é sustentado, é repetido sem plateia, é feito principalmente quando ninguém está filmando.Não tenho uma resposta fechada e, sinceramente, não busco ter. Talvez, eu possa simplesmente achar chique o que eu quiser: brincar com as minhas gatas, almoçar com pessoas especiais, passar o meu café às cinco da tarde, corrigir a crase até no bilhete da geladeira ou ler um livro antes de dormir… Ah, e nada de julgamento, ok?! Se a trend me deixa alguma lição é que ser chique de verdade é demonstrar educação, empatia e respeito genuíno por todas as pessoas.
No fim das contas, talvez a graça esteja exatamente neste aspecto: rirmos de nós mesmos enquanto nos lembra do óbvio. Não precisamos de hashtag para sermos gentis, mas se for ela que devolve a gentileza à conversa, que ela venha.









